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COMPLEXIDADE E MUDANÇA - NG2


«Para os que entrarem nos mesmos rios, outras e outras são as águas que por eles correm… Dispersam-se e… reúnem-se… juntas vêm e para longe fluem… aproximam-se e afastam-se».

Heraclito, Fr. 12

Se existe, na história do pensamento ocidental, algum pensador que tenha postulado a mudança como primeiro tecido constituinte da totalidade do real este foi sem dúvida Heraclito de Éfeso. A supracitada metáfora, sugestivamente utilizada por este pré-socrático, permite-nos interpretar a realidade física e social a partir da categoria do movimento, que une as várias sucessões do tempo: passado, presente e futuro.
Se se analisa com algum rigor os fenómenos naturais, a tese do grego, relativa ao perpétuo e constante fluir das coisas, pode vislumbrar-se, quer cosmologicamente na sucessão temporal dos dias, dos meses e dos anos, quer biologicamente na relação que as realidades antitéticas da vida e da morte mantém entre si.
Numa realidade assim concebida, o conceito complexidade justapõe-se necessariamente ao fluir temporal da realidade, dado que, se o mundo está em permanente mudança, esta implicará necessariamente um maior grau de complexidade. O que nos é facilmente perceptível se se analisa o grau de complexidade que medeia entre a mecânica subjaz aos automóveis da década de 70 e a mecânica preside aos actuais. E implica maior grau de complexidade – dizíamos –, porque esta mudança não ocorre acidentalmente, mas visa uma determinada finalidade, consubstanciada na felicidade e o bem-estar humanos.
Em suma, as categorias de complexidade e a mudança constituem duas realidades que tecem e entretecem as nossas existências individuais e colectiva. No contexto privado, dão origem às aprendizagens realizadas ao longo da vida; no contexto profissional, aos processos de inovação; no contexto institucional, ao associativismo e movimentos colectivos; e, no contexto macro-estrutural, à globalização.
Emanuel Santos

MUNDIALIZAÇÃO - NG2

Processo histórico, com incidência política, económica, cultural, tecnológica, etc., acelerado na segunda metade do século XX, que representa a consciência de que os fenómenos se apresentam inter-relacionados, independentemente das fronteiras territoriais, das diferenças étnicas ou linguísticas, etc. Para este fenómeno terá contribuído uma série de factores, como a emergência e o desenvolvimento de organizações transnacionais (de que são exemplos a ONU, a União Europeia, a UEO e a NATO), o incremento das vias de comunicação entre os vários países e regiões, a expansão das telecomunicações e das tecnologias de informação, a vigência de certos princípios políticos (direitos humanos, assistência humanitária) e o acesso generalizado à (mesma) informação. Especificamente, na área económica, o fenómeno da mundialização teve como consequência a globalização dos mercados. Esta tem ainda algumas causas próprias do meio económico, como sejam a facilidade e rapidez com que os capitais são movimentados, a necessidade de as empresas obterem economias de escala e o incremento de processos de integração económica (como a União Europeia, o NAFTA e o MERCOSUL), não sendo também indiferentes os avanços nas negociações do GATT. A globalização consiste então no seguinte: apesar das diferenças de valores e de características de cada país ou região (que implicam atitudes culturais também distintas), tem-se verificado que as preferências dos consumidores se têm padronizado. Isto é verdade, pelo menos, para certas classes de produtos (de luxo e que satisfaçam consumidores com necessidades muito semelhantes - ou seja, os produtos universais). A principal característica da globalização é, portanto, a crescente homogeneidade das preferências dos consumidores (e, por isso, dos seus padrões de consumo). Para as empresas, tudo isto acarreta consequências evidentes, mesmo ao nível das suas operações diárias. Por um lado, passam a ter a necessidade de integrar as suas actividades a nível mundial. É, pois, mais do que de um processo de internacionalização que se trata: essas actividades passam a ser organizadas à escala mundial, como se o mundo fosse um único país (pode aqui lembrar-se a noção de aldeia global). Por outro, este processo gera a necessidade de se processar a adaptações pontuais dos produtos aos mercados regionais específicos que as empresas pretendem atingir.
Mundialização. In Diciopédia 2009 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2008. ISBN: 978-972-0-65264-5

INTERCULTURALIDADE - NG2

Interculturalidade

O conceito de interculturalidade tem uma forte relação com o de educação, ambos uma necessidade e exigência da sociedade actual. A complexidade e multiculturalidade são fenómenos intrinsecamente ligados ao mundo dos dias de hoje, onde globalização, migração, minorias e tentativas de hegemonia são realidades efectivas. A interculturalidade passa pois pelo desafio lançado pela globalização e suas implicações étnicas e culturais. Identidade, homegeneidade e diversidade são os eixos definidores da interculturalidade, que tem na educação e suas instituições e agentes os meios de desenvolvimento. Os valores são os da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da igualdade, tolerância, educação multicultural. A interculturalidade visa assim não apenas a formação mas também a integração dos grupos no todo social, perante o individualismo e a cultura consumista e imediatista da globalização. A interculturalidade pressupõe a educação democrática, a transnacionalidade da mesma e a superação dos hermetismos sociais do Estado-Nação, bem como a oposição à supremacia de culturas sobre outras. A cidadania global, a educação e a sociedade em fusão, são os valores transversais da interculturalidade social do mundo de hoje, que se pretende integradora, equitativa, justa, responsável e solidária, de modo a manter as diferenças sem subalternizações nem sobreposições e intolerâncias. A interculturalidade é assim um dos instrumentos de amenização e refundação da sociedade moderna na senda da globalização. Ou está para além do materialismo político-económico: uma globalização de valores, de cultura, de formação, de identidades e de cidadania plena.


interculturalidade. In Diciopédia 2009 [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2008. ISBN: 978-972-0-65264-5